Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Literatura aos Pedaços - Soneto do Amor total


Amo-te tanto, meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Mia Couto - Pedaços de Literatura


O Tempo é o lenço que enxuga todas as lágrimas.

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Fealdade (Pedaços de Literatura)


É forte o impacto da fealdade, numa alma que foi feita para amar o que é belo.

( Stendhal - O Vermelho e o Negro )

Domingo, 25 de Maio de 2008

James McGee


A História é rica em diplomatas heróis que mudaram, e muitas vezes salvaram, a vida de muitas pessoas. Trabalham normalmente pela calada e fazem uso permanente de conhecimentos, influências e muito pragmatismo. Conseguem o que querem de tanto conhecer os buracos do regime. Mas há outros que desafiam de frente os tiranos. Como se esquecessem que vivem no território adverso.

Diplomacia no Zimbawe será diferente da que é feita entre o “glamour” das festas do primeiro mundo. Entre diplomatas com funções em países difíceis, escolhidos certamente muito pouco ao acaso, destacam-se alguns na coragem e perseverança.

Mugabe, depois de martelar resultados da primeira volta, começa agora a segunda, apresentando ao mundo novo herói. Chama-se James McGee, é ex-combatente da força aérea americana no Vietname e cometeu o hediondo crime de visitar no hospital as vítimas da violência em que resultou a primeira volta. Já foi ameaçado de expulsão por ingerência em assuntos internos do país. Os próximos dias dirão se faz as malas e volta para casa e para a reforma vitalícia, ou se fica e continua dignificar toda a humanidade.

Sábado, 24 de Maio de 2008

Eu, o Diabo (Pedaços de Literatura)


È claro que desconfio que vos preparais para acreditar no contrário de tudo aquilo que eu disser, visto que sou eu quem fala. Mas penso que sereis suficiente subtis para adivinhardes que o contrário do que eu digo nem sempre é verdade, e para pressentirdes todo o interesse do que eu possa dizer de sensato, mesmo que só lhe concedeis desconfiança. Afinal o meu nome, que aparece nada menos que cinquenta vezes no Corão venerável, é um dos mais citados ali.

(…)

Jurei então submeter sempre à prova a raça de Adão.

(…)

E Deus disse que enviaria para o inferno todos os que eu conseguir corromper.

È inútil dizer que mantive a minha palavra. Nesse aspecto não vejo que haja qualquer coisa a acrescentar. Há quem diga que nessa ocasião foi firmado um pacto entre Deus e eu. Por essa teoria eu seria de Deus um ministro de que ele se serve para por os homens à prova.

(…)

O que eu faço é muito importante, porque se todos fossem para o Paraíso, ninguém teria medo e o bem não bastaria para gerir os assuntos do mundo e dos Estados. Efectivamente, o mal é tão necessário como o bem, e o vício tão necessário como a virtude.

Orhan Pamuk – “O Meu Nome é Vermelho”

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Camilo Pessanha


Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Maio de 68


Tenho alguma curiosidade em saber como será hoje o espírito académico. No meu tempo (1ª metade da década de 90), ainda se ouvia poesia no Pinguim Café na Rua da Cordoaria, e os copos ainda nos faziam cantar Zeca Afonso. Ainda assim esses tempos não mais foram que uma amostra dos de Coimbra da minha mãe ( o fruto na altura era proibido ) . Quem viveu, um bocadinho que fosse, o espírito académico, gosta de imaginar o que foi esse Maio que já faz quarenta anos.